
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e vice-presidente Geraldo Alckmin disse nesta sexta-feira (20/2) que a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas de Donald Trump é uma oportunidade para ampliar as relações comerciais do Brasil.
“É uma decisão importante, fortalece a relação comercial Brasil e Estados Unidos. A negociação continua, o diálogo continua, e o que nós esperamos é ter mais comércio, mais investimento recíproco e crescimento das economias”, pontuou Alckmin.
A Suprema Corte norte-americana decidiu que Donald Trump se excedeu na aplicação das tarifas comerciais, o que ficou conhecido como “tarifaço”. Os ministros entenderam que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não autoriza o titular da Casa Branca a aplicar tarifas por conta própria.
Em abril de 2025, Donald Trump anunciou um tarifaço global, com uma taxa de 10% para produtos brasileiros, 20% sobre a União Europeia e 34% sobre a China, além de uma alíquota de 25% sobre todos os veículos importados. À época, o republicano afirmou que a medida buscava proteger a economia norte-americana.
Já em julho, o presidente norte-americano elevou a pressão nas relações comerciais com o Brasil e anunciou uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. Diante das medidas, uma comitiva do governo brasileiro, liderada por Alckmin, passou a negociar uma redução de alíquotas.
O vice-presidente destacou que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil e defendeu a continuidade do diálogo entre os dois países.
“Só tem três países do G20 com quem os Estados Unidos têm superávit na balança comercial. Só três: Reino Unido, Austrália e Brasil. O ano passado foi US$ 2,1 bilhões de superávit. Então, o Brasil não é problema. […] Acho que a negociação continua, o diálogo continua, e acho que abriu uma avenida ainda maior pra gente poder ter um comércio exterior mais pujante, o que significa emprego e renda”, reforçou o vice-presidente após a decisão da Suprema Corte norte-americana.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para os Estados Unidos tiveram uma queda de 6,6%, ou US$ 2,65 bilhões, em 2025, após as tarifas de Trump, saindo de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões.
As negociações entre Brasil e Estados Unidos já vinham acontecendo antes da decisão da Suprema Corte. Em outubro de 2025, Lula e Trump se encontraram em Kuala Lumpur, na Malásia. Na ocasião, o Palácio do Planalto informou que pediu a suspensão imediata do aumento das tarifas contra as exportações brasileiras.
Uma nova reunião entre os líderes mundiais está prevista para março deste ano com outras pautas bilaterais, como indicou Geraldo Alckmin. “Além das questões tarifárias, que o Brasil tem tarifa baixa, média de 2,7 e os Estados Unidos é superavitário, você tem outros temas. Um tema que está agora na pauta da próxima semana é o Redata. Existem inúmeras empresas americanas interessadas em investir em data centers no Brasil”, pontuou o vice-presidente.
Fonte: Jota
